É hora de investir em Business Agility?

Através da Apex-Predator Theory (Flexuous) criada por Dave Snowden, conseguimos observar os momentos onde a agilidade nos negócios se torna decisiva.

Em tempos de pandemia e consequente incerteza, executivos vêm sendo desafiados a tomar decisões mais rapidamente tendo cada vez menos informações disponíveis. Em grande parte, essas decisões impactam na forma com que a empresa investirá sua energia e recursos, ou seja, são decisivas para o sucesso do negócio.

No meio desse difícil desafio, em alguns lugares as iniciativas de Business Agility têm sido postergadas para “depois que as coisas se acalmarem”.

E, por mais que seja compreensível o conservadorismo da espera, será que o que as empresas precisam não seja exatamente o oposto, ou seja, alcançar agilidade que lhe permita não mais precisar esperar no caso das coisas permanecerem incertas?

Utilizarei neste artigo a teoria do Apex-Predator, de Dave Snowden, para avaliarmos o papel da agilidade nos negócios em cada um dos pontos de inflexão da teoria.

No treinamento de BUsiness agILity Design, abordamos a teoria em mais detalhes integrando-a com a nossa estratégia de construção de modelos para agilidade nos negócios. Consulte aqui data para nosso próximo grupo.

Introdução ao Apex-Predator Theory

Também conhecida como Flexuous, essa teoria trabalha com a ideia de que toda cadeia seja diretamente influenciada por seu predador alfa e que, sem um balanceamento contínuo, o ecossistema se desestabiliza e pode levar ao desaparecimento não desejado de espécies.

Na indústria, por exemplo, os predadores exercem um papel fundamental, pois há potencial para abrir e fechar mercados, orquestrar monopólio, construir comunidades de negócios ao seu redor, combater competidores, e muito mais. De fato, todos que estão neste ecossistema deveriam estar atentos aos movimentos para, com agilidade, conseguir se adequar, sobreviver, e quem sabe se tornar um novo predador.

Tecnicamente, essa teoria combina uma sobreposição de ciclos de adoção de Geoffrey Moore (Crossing the Chasm) que formam pontos de inflexão decisivos para a tomada de decisão.

O ponto α representa a interseção entre um momento de forte inovação na linha verde (1) e de ganho em escala na linha vermelha. Nesse ponto, quem está nesta última vem alcançando muito sucesso e os ganhos são enormes. Sua eficiência é tão boa que lhe cega, o que o faz não conseguir perceber os “sinais fracos” emitidos pela linha verde.

O ponto β representa o momento em que a curva verde enfrenta o abismo e é desafiada a conseguir manter a empolgação para levar esse negócio a um novo estágio (2), enquanto a linha vermelha continua a avançar seu negócio em forte escala. Os sinais ainda são fracos e, se percebidos, são normalmente respondidos com ceticismo. Processos de aquisição ou cópia acelerada passam a ser possíveis saídas já que não há mais tempo seguro para tentar inovar.

No momento γ a linha vermelha já dá fortes sinais de que chegou ao seu limite, enquanto a linha verde está preparada para escalar com força. É praticamente a última chance que o predador tem de escutar os sinais, já não tão fracos, e reagir rapidamente. Neste ponto, reação com inovação já não é mais possível, por outro lado aquisição se torna bastante cara e difícil, mas ainda possível. Novamente, a cegueira, pode fazer com que a ideia de apenas revitalizar “o negócio que nos trouxe até aqui” seja melhor do que embarcar em algo novo.

Por fim, o ponto Ω é quando idealmente você faz uma transferência agressiva de recursos e esforços da linha vermelha para a linha verde, levando-a a ganhar tração e força de escala (3) até — inevitavelmente — repetir o desgaste vivido anteriormente pela linha vermelha (4). Infelizmente, no entanto, este é um momento de difícil decisão, onde muitas vezes o desejo de ter tomado a decisão correta no ponto anterior faz com que as pessoas continuem a insistir em reerguer um negócio que já segue ladeira abaixo (5).

BUILD e Apex Predator

Como já mencionei em “Não existe business sem agility”, agilidade nos negócios nada mais é do que a habilidade que uma empresa possui para responder rapidamente, e de forma bem sucedida, a eventos inesperados que impactam seus negócios.

Os pontos de inflexão da teoria do Apex Predator nos dão um mapa abstrato que apresenta alguns dos momentos mais férteis para que estes eventos aconteçam. Tais eventos não deixarão de ser imprevisíveis, mas a capacidade de percepção e reação do seu negócio pode estar melhor desenvolvida com o investimento em agilidade.

Utilizando a teoria do Apex Predator como referência, os modelos que criamos com o BUILD aguçam a sensibilidade dos negócios para que possam inovar no ponto α, desenvolvem a capacidade estratégica para atravessar o ponto β, e criam um forte racional de tomada de decisões para γ, adicionando resiliência para uma possível recuperação em Ω. Obviamente, estes não são elementos fixos já que tal agilidade deve estar emaranhada ao contexto e tendo sua definição de sucesso conectada aos resultados do negócio.

O mercado tende a seguir em contínua transformação e cada vez com mais desafios. A incerteza se tornou padrão e não exceção e, com isso, agilidade nos negócios deixou de ser luxo e passou a ser essencial como aliada ao crescimento e sobrevivência dos negócios. Espero que sua empresa não aguarde o momento 5 para perceber suas escolhas erradas ao ignorar a necessidade de aumentar a agilidade dos seus negócios.

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